No "banco alto"
"Mãe, eu quero ir no banco alto!!!" Minha mãe ouviu isso durante toda a minha infância. Minha família, classe média baixa, moradora do subúrbio carioca, fazia o mesmo ritual a cada domingo. Eu morava em... hum taí algo difícil de dizer. Já estivemos em tantos lugares. Mas digamos que eu morava em Cavalcanti. Minha igreja ficava na Tijuca. O ritual era pegar o ônibus: meus pais, meus dois irmãos mais novos e eu. Lá íamos nós rumo à Escola Dominical. Uma vez dentro do ônibus recomeçava a disputa: quem iria sentar no banco alto? Éramos três irmãos e já estávamos relativamente grandinhos para ocuparmos os três um mesmo banco. Aiai, como eu gostava do banco alto! Se eu ficasse do lado da janela então... puxa, que felicidade! Era a minha realização. Ficar no banco alto era bom porque eu me sentia grande, via tudo de cima, como uma adulta! E da janela eu via o mundo, com uma visão privilegiada, eu enxergava melhor. Outro dia fui pegar o ônibus lá na faculdade. Estava indo para o tra...