terça-feira, 23 de junho de 2009

Escrever por escrever só escrever
Digitar por digitar só o digito ar
Digito o ar
Dito o ar
Digo o ar
Diz agitar
Agito ar
Ar
Arrrrrrrgitado


E a música é para inspirar
Inspiro o ar
E as pessoas são para dizer agitar
E eu sou só para escrever digitar
Desajeitar e depois me deitar

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Não mais, ou talvez ainda... uma recém-formada

Uma das minhas pendências pessoais neste blog era escrever sobre uma etapa que ainda é considerada muito importante na vida de alguém: os anos de faculdade. Acho que escrevo como uma recém-formada, mas me pergunto por quanto tempo poderei me valer dessa posição “recém”. Minha colação de grau foi em fevereiro de 2008, mas na prática eu já havia terminado meus estudos desde dezembro de 2007.
Esses foram sem dúvida os anos mais intensos e loucos da minha vida! Não voltaria atrás... talvez até voltaria para aproveitar mais, porém quem garante que eu o faria? Bem me lembro de minha chegada à Faculdade de Comunicação Social da UERJ, ainda com resquícios de uma adolescente tímida e com muitas inseguranças. Um ambiente ao mesmo tempo tão almejado e temido.
Chegar depois de mais de um mês de aula, por conta da última lista de reclassificados para o turno da manhã não foi a situação ideal. Lá fui eu para o meu primeiro dia de aula. A cabeça cheia de falações minhas. A turma já está formada! Vai ser horrível chegar agora. Estou morrendo de vergonha! Como serão essas pessoas? Daí, talvez uma pergunta: Você não estava também feliz por ter passado? Claro, claro, mas a tensão naquele dia era maior do que qualquer outro sentimento.
Para a minha sorte outras três pessoas chegaram junto comigo vindos da mesma famigerada lista de reclassificação. Tão facilmente nos juntamos e aguardávamos aquele mundo novo que se descortinava. Mal sabia eu naquele momento que depois, ao longo de quatro anos, as coisas se tornariam muito mais fáceis. Me acostumei com a minha turma, fiz amigos queridos. Fui até madrinha de casamento de uma delas!
Hoje, quando olho para trás, vejo o quanto eu mudei. Foi na faculdade que eu deixei escrever o texto para depois passar a limpo no computador (sim! Eu fazia isso!). Foi lá que eu me apaixonei ainda mais por literatura e filosofia. Eu também, por mais contraditório que isso pareça, conheci mais de Jesus e aumentei a minha amizade com ele. Conheci melhor o Movimento Estudantil Alfa e Ômega e vivi coisas muito legais com os meus amigos.
Sei que eu não sou a única a passar por mudanças. Eu as percebo nas outras pessoas que estiveram comigo nesse tempo também. É no mínimo curioso perceber que no início somos, em maioria, mais sonhadores e otimistas quanto ao futuro e à carreira escolhida. Ao final a realidade (estudada, teorizada e vivida) acaba vencendo. Em função disso, lá se vão mais mudanças: de ideais, de propósitos e do que mais? Pessoas tímidas se revelam ousadas, pessoas rabugentas conseguem tirar lá do fundo do fundo do fundo a sua melhor simpatia. Bem vindos ao mercado de trabalho! Ou seria finalmente, a maturidade?
E que siga a vida. Fico devendo a esse tempo: o documentário sobre meios de transportes, com a Carol Peixe; O livro “Você tem que acreditar” – uma auto-ajuda para trabalhos universitários, com orientação sobre como agir diante de professores excêntricos; Um outro livro que eu escreveria ainda como universitária, e que está estagnado em uma pasta do meu computador; Um livro sobre crônicas das histórias mais bizarras que eu ouvia ao ir e voltar de metrô para a UERJ; Decifrar os enigmas: porque aquelas frases em latim em alguns andares da universidade?; Fazer mais disciplinas de literatura; Fazer mais poesias; Escrever, escrever, escrever... foi isso que me levou até o jornalismo.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Um monólogo do Brasil

- Deitado eternamente em berço esplêndido... Não sei de onde tiraram isso.... “deitado eternamente”? Todo dia eu preciso acordar e me levantar, até nos feriados...
E quanto ao berço... sem comentários, já tenho mais de 500 anos.
- Mas voltando para a minha rotina... é exatamente assim..... todos os dias, me levanto bem cedinho... tomo um bom café e vou vivendo.
- Às vezes escolho os caminhos mais bonitos, me encanto com minha natureza, com as formas do relevo. Gosto de ver o verde da Amazônia, de respirar o ar puro de ouvir o barulho das águas doces de rios e cachoeiras. Mas gosto igualmente do barulho das ondas do mar ao encontrar a faixa de areia, tanto quanto dos galhinhos de árvore que se quebram no chão ao se desbravar por uma trilha no meio de uma serra.
- De barulhos em barulhos eu passo o meu dia. A trilha sonora a mais diversa... forró, maracatu, sertanejo, funk, samba, pagode, mpb, frevo... e vou ouvindo tantos sons que embalam as vidas. E quantas vidas... mais de 180 milhões vivem em mim. Se você quiser saber quem é natural de minhas terras.... procure um negro, ou uma ruiva, um loiro ou uma mulata, pode ser também um com traços orientais, ou ainda alguém que tenha um pouco disso tudo.
- Com tanta variedade, não sei se conseguirei explicar de fato uma “rotina”. Mas só sei que acordo, todos os dias acordo. E quando vejo estou em uma rede, mas posso estar também em uma king size, como também no chão de uma casa simples, ou em uma calçada, que, num improviso, se tornou a minha cama.
- Eu acordo de manhã e observo as minhas crianças. Umas vão para escolas, outras ainda dormem, tem aquelas também que já sentem o peso de trabalhar arduamente. Em suas casas algumas, são cuidadosamente educadas por pais presentes. Mas vejo também histórias que já nos primeiros anos de vida são marcadas por traumas e problemas de lares desestruturados.
- Os dias vão seguindo o seu curso. O ritmo varia. Nas minhas maiores cidades, grandes centros urbanos, há uma pressa implícita que permeia a população. Entre as buzinas e sons de carros, nessa época do ano é muito provável encontrar umas pessoas, jovens, sabe? Pintados, pedindo dinheiro nos sinais – esses são os meus universitários. Dizem que são o meu futuro. Mas não sei se posso ter esperança. Em uma universidade qualquer, vejo jovens se drogando, embebedando, aprendendo a ser espertos e sempre se dar bem. Não conheço muitos que estejam realmente interessados no meu futuro.
- Há um individualismo tão grande, que às vezes eu esqueço que existo, pois cada um está apenas pensando em si. Não sei qual o sentido de tanto estudo, na prática vejo tudo tão diferente.
- Ah por este solo, por minha história, já se passaram tantas pessoas. Tanta gente, minha gente. Pessoas revolucionárias como Gilberto Freire, talentosas como Drummond. Mas foram tantos que já se foram e só restaram seus escritos e ideais que ainda relutam em sobreviver pela força de alguns. Mas por quê? Por que com tanta gente boa, a minha história tem caminhado desse jeito? Já tive filhos tão corajosos, que lutaram para enfrentar um sistema opressor. Tudo parece tão ... difícil de ser mudado.
- Mas não se preocupe, eu sou um país cristão. Ainda posso recorrer a Deus. Sobre os cristãos. Bem não sei dizer exatamente, a maioria deles eu vejo em igrejas, das mais variadas, com imagens, sem imagens, enormes, minúsculas, luxuosas, simples. Os vejo cumprir alguns rituais. Vejo alguns que conversam com outras pessoas e compartilham sobre o amor de Deus. Esses crêem ser essa a esperança para uma nação melhor.
- Eu tenho muita diversidade, e nessa área não é diferente. Tem tantos acreditando em tantas religiões, seguindo caminhos diversos, que dizem levar a Deus. São tantas maneiras criadas para isso, que parece ser algo muito complicado, chegar a Deus.
- No meio de tantas cores, credos, classes sociais, culturas, pensamentos, quem se importa, realmente com o meu futuro, com o futuro dos filhos do meu solo que estão aqui e daqueles que ainda virão?
- Aí quando as coisas se complicam, eu continuo vivendo, escolho de novo aqueles caminhos bonitos e tão inspiradores, percebo a natureza exuberante que minhas terras exibem, evidências de um Criador.
- Quem se importa? Eu sei que Ele se importa.

sábado, 5 de abril de 2008

Pendências parte 2: "Voltei [de] Recife, foi a saudade que me trouxe pelo braço"


Depois de mais de um mês em Recife, eu realmente estava com saudades do meu Rio de Janeiro. Mas, não quero fazer desfeita com os recifenses, por isso essa postagem é em homenagem a eles.

Em janeiro de 2008 passei o mês em um projeto missionário (o que é um projeto? Isso renderia outro post.) em Recife. Dentre as muitas atividades que eu e mais 90 pessoas fazíamos estava: evangelismo, discipulado, apresentações musicais... etc etc.

Eu diria que foi intenso. Muitas atividades, pouco tempo, muitas pessoas para conhecer, de vários lugares do Brasil. Foi muito bom também. Me lembro do lugar em que ficamos alojados, sei que nem todos deram a sorte que eu dei. Mas no meu quarto ventava muito à noite e eu até sentia frio. Algo muito incomum em uma cidade do nordeste barsileiro e em pleno verão. Eu me lembro também da primeira vez que andei pelas ruas do centro da cidade. Foi um momento de grande tensão. Minha amiga recifense me guiava e tentava me deixar atenta. Dizem que Recife é uma cidade violenta. Durande a minha estadia em Recife, eu acreditei mesmo nessa tal de violência. E fazia tudo direitinho: andava rápido, não falava com estranhos, e posicionava a minha bolsa estrategicamente sempre à minha frente. Coisas que eu não faço por aqui, mesmo conhecendo os perigos.

Mas eu quero falar de coisas boas, senão isso não será uma homenagem... hehe. O que eu mais gostei de lá foram as pessoas. Os recifenses (pelo menos os que conheci) são bem legais. Gostam de um bom papo. Conversei com vários deles e é engraçado, porque parece que eles, por mais ocupados que estejam, sempre vão arranjar tempo para conversar. Outra coisa que eu gostei foi de ver os rios que cortam a cidade, à noite. É uma cena muito bonita. As pontes (que são várias) ficam todas iluminadas. O centro histórico que dá para as margens dos rios, também tem umas casinhas antigas, bem conservadas(ao menos aparentemente) que ficam iluminadas à noite. O efeito das luzes refletidas no rio é lindo.

Bem já falei das pessoas, do lugar... para completar gostei muito de um milk shake de Nutela. Na verdade eu só tomei um golinho do copo de uma amiga minha. Mas posso garantir que ele fez um sucesso entre os cariocas que estavam no projeto. Por falar em comida, posso mencionar também que em Recife eu comi o melhor crepe de toda a minha vida!(Massa de chocolate, recheio de sorvete de morango, cobertura de chocolate, raspas de chocolate branco e de chocolate ao leite). Como a Pri diria, comendo metade desses eu sou feliz...

Termino o post falando de algumas curiosidades. O pessoal de Recife tem um jeito de falar interessante, um ritmo difente. Eu gostei e confesso logo que tenho a maior facilidade em pegar sotaque, acho mesmo que quando voltei estava falando parecido com eles, mais cantado, com mais ênfase nas interrogações. Outra coisa interessante é o custo do taxi... muito mais barato que o do Rio!

Agora por que, mesmo estando em uma cidade com coisas legais, tive saudades do Rio de Janeiro? Por que gosto de feijão preto, porque o carioca sabe como ninguém dá informações sobre como chegar a um lugar, porque amo a comidinha da mamãe, e gosto muito da minha querida cidade maravilhosa!

domingo, 23 de março de 2008

Air China... um vôo para o outro lado do mundo

Como a China está na moda (até virou tema do catálogo de modas da C&A), resolvi escrever aqui como foi o meu primeiro vôo em um avião chinês (e provavelmente um dos únicos, hehe). Na última postagem falei sobre a aventura que vivi na Coréia do Sul e essa viagem foi o motivo pelo qual passei pela China. Nosso trajeto de vôo incluiu o trecho Frankfurt - Pequim. Até então nossa viagem estava bem "normal". Sim, estar na Alemanha, não é a mesma coisa que estar no Brasil, mas nós nem saímos do aeroporto em Frankfurt, e andávamos o tempo todo juntos. Entrar no avião que partia rumo a Pequim foi o que fez cair a ficha para mim: eu começava a entrar em contato com uma outra cultura - a oriental.

Nosso grupo tão unido, ficara disperso no avião imenso de dois andares, com fileiras com 10 ou 11 assentos cada. Fiquei isolada, com um monte de chineses ao meu redor. Me senti muito perdida, ouvindo várias pessoas falarem alto e empolgadamente um idioma tão estranho para mim. E enquanto o avião não partia já tive uma prévia do que seria aquele vôo. Pessoas amontoadas em pé e fazendo muito barulho. Barulho chinês.
Pensei eu "Pelo menos vou poder dormir, se eu pudesse apagava aqui e só acordava na chegada em Pequim." Seriam cerca de 10 horas de viagem e na verdade eu pude fazer muito mais do que dormir naquele vôo. O meu assento ficava em um grupo de 4 lugares no meio do avião. Já vi que teria que passar pelo constrangimento de incomodar alguém para me levantar, mas tudo bem, faz parte.

Com o avião já no ar, eu tentei me distrair enquanto o sono não vinha. Coloquei os meus fones. Dentre as opções: música oriental. Eu me senti realmente do outro lado do mundo, imersa em uma cultura tão diferente da minha. Foi uma sensação muito estranha, queria muito ter brasileiros por perto para comentar como estava sendo a experiência. Poderia fazer isso sem o menor constragimento, pois o português deve ser tão estranho para eles quanto o chinês foi para mim.

Tentei dormir, mas em vão. Me sentia expremida no meio de tanta gente. Depois do jantar, os comissários de bordo começaram a passar com carrinho para venda de produtos da Duty Free. Um alvoroço se instalara então, as pessoas ficaram muito empolgadas, nem mesmo esperavam, saíam de seus lugares na direção dos carrinhos para fazerem suas compras. Que cena! Me senti em uma feira. Decidi então sair do meu lugar e dar uma voltinha, já que pelo visto, isso é totalmente comum em um vôo chinês, fui procurar por alguns amigos brasileiros.

Conversamos e vi que eu não estava só no meu estranhamento. Juntos, até rimos da situação, pensando em como esse vôo foi diferente de qualquer outro que já fizéramos antes. Enquanto conversávamos, decidimos puxar assunto com um jovem casal (chinês) que estava atrás de nós. Passamos primeiro um tempo comfabulando "o que vamos perguntar para eles?". Começamos a nossa conversa, com nosso inglês de improviso, procuramos depois saber se eles já tinham ouvido sobre Jesus. Por incrível que pareça eles não sabiam de quem estávamos falando. Ficamos surpresos com a resposta deles. Sentimos mais uma vez como estávamos, mesmo dentro de um avião, em uma realidade muito diferente da brasileira.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Pendências - Parte 1:: Uma aventura à coreana



Para se contextualizar: no meio do ano de 2007, aconteceu em Busan, Coréia do Sul , uma conferência mundial que reuniu estudantes universitários de várias partes do mundo - Campus Mission 2007, ou vulgo CM. O que nos uniu? O amor de Deus. Nosso objetivo? Torná-lo conhecido em toda a Terra.


Então,
não sei se alguém ainda insiste em ler esse blog na esperança de uma nova postagem... que há meses não vem...
Mas resolvi hoje que começarei a diminuir as minhas pendências nesse espaço. Preciso começar de onde parei... e isso me lembra a viagem alucinante de 12 dias para a Coréia.

Pense em uma aventura em várias línguas e culturas... talvez por aí você consiga captar o que foi essa viagem. Nossa tragetória teve como ponto de partida o Rio de Janeiro e incluiu Frankfurt, Pequim e finalmente Busan, na Coréia do Sul. Essa 1ª pessoa no plural, que uso e ainda vou mencionar aqui é composta por cariocas, cearenses, paulistas, recifences e a Stella, que não me lembro agora qual o estado de nascimento...

Pois bem, a nossa chegada em Busan se deu pela noite. Já nos encontrávamos literalmente do outro lado do mundo, com uma diferença de 12 horas no fuso, comparado com o Brasil. Estava como muito sono, pois mal dormira nas longas viagens de avião (o trecho Frankfurt-Pequim, aliás, nos rendeu uma inesquecível experiência antropológica, digna de um post exclusivo), por isso depois de chegar ao hotel que nos hospedou fui dormir o doce sono dos justos, para recarregar as energias para os dias que seriam os mais intensos que já vivi.

Não irei retratar aqui minunciosamente cada dia... até porque não sei se a minha memória seria tão fiel. Mas vou destacar algumas das coisas que mais me marcaram, a começar pela comunicação. Eram pessoas de mais de 120 países, mas incrivelmente conseguimos nos comunicar muito bem. Eu que no Brasil sempre me envergonho de balbuciar algumas palavras do meu inglês básico, tomada pelo clima global, falava empolgadamente com pessoas de vários lugares, sem me importar com os meus evidentes erros. O importante era se comunicar, servia um inglês basiquinho como o meu, serviam as mãos, gestos e mímicas também. Nem todos os coreanos falavam inglês, mas eles conseguiam se conectar com as pessoas mesmo assim, nem que fosse só para tirar uma foto. "Brasil, Kaká, Ronaldo!!!" - o grupo de brasileiros no CM ouviu muitas frases como essas acompanhadas de sorrisos que nos pediam uma "picture!!!" (=foto!!!)

Os coreanos têm muitas características admiráveis. Eles são super dedicados, vários voluntários trabalharam muito para que a conferência tivesse uma infraestrutura que desse conta dos 18 mil estudantes ali reunidos. São muito hospitaleiros também. No nosso dia de folga, eu e mais duas amigas brasileiras, andamos pelas ruas de Busan guiadas pacientemente por duas coreanas muito fofas! Elas tiveram que agüentar as nossas milhares de perguntas e mediar as nossas conversas com os comerciantes. Foi um dia muito divertido, me senti muito acolhida, apesar de estar em um lugar tão distante e diferente de casa.
O gosto deles é apimentado. Nesse mesmo dia fui lanchar no KFC e, com o meu inglês que já espliquei como é, tentei explicar para a atendente que eu queria um hambúrguer sem pimenta.... pois então o lanche mais "leve" que tinha lá ainda assim fez a minha língua arder. Depois de andar muito, as coreanas que nos acompanharam resolveram nos pagar uma sobremesa. Entramos em uma lanchonete muito lindinha, nos estilo de sorveteria. A guloseima consistia em frutas picadas, leite, gelo raspado e feijão doce! Comi tudinho, mas confesso que foi muito estranho comer um feijão doce.

Fora as inúmeras experiências culturais que tivemos, o CM foi também um tempo muito bom para adorar a Deus. Sim, eu sei podemos fazer isso em todos os lugares. Mas a sensação de estar com cristãos de centenas de países louvando, orando, conversando... puxa, isso é indescritível. E com certeza é o que mais me marcou nessa viagem.
Tem muito mais coisas que aconteceram nesse dias tão intensos, em que acordávamos cedinho para as programações e não tínhamos pena de dormir bem tarde depois de várias conversas com pessoas que íamos conhecendo a cada dia. Mas meu relato vai ficar por aqui. E só de relembrar fiquei com saudades.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

No "banco alto"

"Mãe, eu quero ir no banco alto!!!" Minha mãe ouviu isso durante toda a minha infância. Minha família, classe média baixa, moradora do subúrbio carioca, fazia o mesmo ritual a cada domingo. Eu morava em... hum taí algo difícil de dizer. Já estivemos em tantos lugares. Mas digamos que eu morava em Cavalcanti. Minha igreja ficava na Tijuca. O ritual era pegar o ônibus: meus pais, meus dois irmãos mais novos e eu. Lá íamos nós rumo à Escola Dominical.
Uma vez dentro do ônibus recomeçava a disputa: quem iria sentar no banco alto? Éramos três irmãos e já estávamos relativamente grandinhos para ocuparmos os três um mesmo banco. Aiai, como eu gostava do banco alto! Se eu ficasse do lado da janela então... puxa, que felicidade! Era a minha realização. Ficar no banco alto era bom porque eu me sentia grande, via tudo de cima, como uma adulta! E da janela eu via o mundo, com uma visão privilegiada, eu enxergava melhor.
Outro dia fui pegar o ônibus lá na faculdade. Estava indo para o trabalho. Tinha vários lugares livres, mas inconscientemente me dirigi ao "banco alto", acho que até hoje eu gosto de me sentar nele. Mas é engraçado a diferença em relação àqueles tempos. Não se trata mais de um "acontecimento", é praticamente indiferente para mim.
Mas nesse dia, me lembrei de minha infância e me diverti ao pensar "Eba, hoje eu sentei no banco alto!"