quarta-feira, 28 de março de 2007

Amigos


"E Jônatas, filho de Saul, foi falar com ele [Davi] em Horesa, e o ajudou a encontrar forças em Deus" I Samuel 23:16

É lindo ver como Deus nos criou para termos um relacionamento com ele e com as pessoas. Li esse versículo outro dia e gostei muito. Ele mostra a maneira, como eu entendo, que Deus vê a amizade. Ter um amigo é ter alguém que vai te ajudar a encontrar forças em Deus. E, cá prá nós, tem coisa melhor do que um amigo assim?
É aquele amigo que quando você fala sobre seus problemas e crises, entende perfeitamente o que você está dizendo. Que alívio sinto quando ouço: "Eu sei exatamente o que você está passando" ou "Ísso também acontece comigo"... hahaha
É muito bom... com medo, depois de pensar e repensar resolvemos nos expor e então, descobrimos que não somos ETs, que somos humanos, estamos no mesmo barco, e nossos amigos vivem os mesmos conflitos que a gente também, mas às vezes em épocas diferentes.

Isso tudo me lembra uma frase de CS Lewis, que eu gostei muito também:
"Nada, desconfio eu, é mais desconcertante na vida de qualquer homem do que descobrir que existem pessoas muitíssimo parecidas com ele."
Mas é verdade né? Já passei por isso umas poucas vezes, conheci pessoas muito parecidas comigo, não tanto na personalidade, mas nos gostos e pensamentos. É emocionante, a identificação é imediata. E em todas as vezes me apeguei a essas pessoas e mantive minha amizade com elas.

Mas, reconheço que não é tão natural assim a gente se abrir para outros e permitir essa oportunidade de descobrir alguém muito parecido, de início (pelo menos isso acontece comigo), tendo a me fechar... mas vale apena arriscar, se expor e poder
receber como Davi ajudas tão preciosas para encontrar forças em Deus.

sábado, 24 de março de 2007

Sacolas

Dia desses, quando descia do metrô na estação Maracanã, pensei na importância das sacolas. Explico. O dia estava chuvoso e, ao sair da estação, vi várias pessoas que, como eu, tiravam de suas bolsas o guarda-chuva envolto em uma sacola de plástico.
Conheci um professor, na minha época de vestibulanda, que afirmava coincidirem todas as questões de geografia em uma resposta: concentração de renda ou desigualdade social. Percebi, que o caso das sacolas tem um “quê” geográfico por tratar também da desigualdade social.
Você percebe o nível social de uma pessoa, em um dia chuvoso, pela sacola que ela utiliza para guarda o guarda-chuva (desculpe a redundância). Tem os moradores de bairros sem um grande supermercado: eles utilizam um saco preto, já que o estabelecimento não tem recursos para confeccionar sacolas com a sua marca. Os que freqüentam supermercado maiores, são maioria e, por isso, os mais fáceis de se encontrar em dias de chuva; eles exibem a sacola do lugar onde geralmente fizeram suas últimas compras.
No universo dos “sacoleiros” também existe uma elite; são os mais privilegiados, que não utilizam sacolas de supermercado, mas de lojas de marca. A jovem-madame vai sair de casa, está chovendo, então sua empregada diz: “Tá levando o guarda-chuva, para caminhar pelo estacionamento da sua faculdade?” Quando ela responde afirmativamente, a outra continua: “E a sacola? Onde você vai colocar o guarda chuva molhado?” Ela vai, pega sua bolsa da Farm, retirando suas roupas recém-compradas, que ainda estavam lá dentro, coloca o guarda-chuva na sacola de grife e sai.
Sacolas podem ser inscritas no senso – “Qual sacola você usa para pôr o guarda-chuva?” – o IBGE obterá uma nova forma de avaliar as condições sociais no país.

Seja qual for sua sacola, mesmo sem pensar nela com tal profundidade, só não a esqueça m um dia chuvoso!

Escrito dia 08/10/2004, e postado aqui em homenagem às águas de março que timidamente vieram nessa semana.

segunda-feira, 19 de março de 2007

Abanador

Está quente. Muito quente. E parece que as poucas águas de março que cairam, não ajudaram muito, até agora.
Enquanto isso, vamos tocando a vida nesse Rio de Janeiro. Lugar comum, quando se fala da nossa cidade é tocar no tema violência. Ultimamente esse assunto vem sendo explorado mais do que o "normal" nos meios de comunicação. Nos chocamos, até choramos com notícias carregadas de emoções fortes. Desespero, dor, ódio, revolta. Folhear as páginas de qualquer jornal (repito QUALQUER jornal... do mais "chinfrim" ao mais elitizado) é estar disposto a ler matérias inúmeras que fazem da tragédia um espetáculo. Tenho para mim que esse sensacionalismo banaliza os atos bárbaros. É todo dia a mesma coisa, sendo tratada da mesma forma.
Outro dia vi algo que me fez pensar em escrever esse texto aqui. Estava em um auditório da minha universidade. O local se encontrava cheio e o ar-condicionado não funcionava. Pelo salão, enquanto o palestrante falava, ouviam-se pequenos ruídos de abanadores. Cada um buscou em suas bolsas e mochilas um "papelzinho" para se refrescar. Na cadeira à minha frente, um menino se refrescava abanando um jornal dobrado. A foto da capa me chamou atenção: era uma senhora negra chorando. Depois de terminada a reunião pedi ao garoto que me desse o jornal. A manchete dizia: "Agora quem chora é a mãe do Thiago".
Fiquei pensando como o jornal é tão descartável com suas notícias, por mais tristes e apelativas que sejam. Aquela edição serviu de abanador e provavelmente para inúmeros outros fins. Embalar ovos, forrar o chão da cozinha para proteger da gordura, tapar alguma janela sem vidro.
O tempo passa e depois do susto, do choro, da raiva, parece que nos esquecemos e continuamos a viver normalmente. Achamos que nada aconteceu, tudo está em seu lugar, essas coisas são naturais, já estamos acostumados com isso mesmo.

terça-feira, 13 de março de 2007

Primeiro o urso...

Estou lendo I Samuel, sei que é redundante dizer que cada vez que a gente lê a Bíblia a gente aprende uma coisa diferente, por mais que seja a passagem mais conhecida... Então, ontem li a famosa história de Davi e o gigante Golias... lá estava eu lendo, imaginando já tudo o que ía acontecer... a roupa pesada em Davi, as cinco pedrinhas, a atiradeira, e um gigante de quase três metros.
Mas enquanto lia, vi o quanto Davi confiava em Deus... ele não deu uma de marrento e resolveu "Vou enfrentar esse grandão aí", mas ele teve um pensamento de fé. Disse para Saul que Deus já havia o ajudado a matar um leão e um urso, então ele o ajudaria a matar Golias também. Davi enfrentou o Gigante como uma pessoa que tinha convicção de que Deus estava com ele. Ele sabia o que estava fazendo. Isso, para mim, é impressionante! Eu nunca matei um leão... rs, mas já passei por alguns momentos difíceis. Porém, quando me encontro diante de um desafio ainda maior, ou, quando chega a vez do gigante, geralmente a minha atitude é pensar "Cara, da outra vez a coisa não estava tão feia assim, mas agora, não sei não, acho que não vai dar certo." Um pensamento oposto ao de Davi. Deus tem para nós desafios cada vez maiores, para que a gente possa confiar ainda mais nele. eu não creio que Davi enfrentou Golias se garantindo na sua própria força e habilidade. Ele confiou em Deus, no Seu Espírito, que já habitava nele. E assim vamos nós, quanto maiores os desafios, menos armaduras, menos pedrinhas, menos recursos nossos e mais da ação de Deus.

domingo, 11 de março de 2007

Fundo de Tela


O que você costuma colocar no seu fundo de tela? Parece uma pergunta sem sentido? Mas a gente pode descobrir muito sobre uma pessoa pelo fundo de tela que ela coloca. Tem aqueles que usam o computador só quando necessário e o papel de parede com a logo do windows é permanente. Tem outros que fazem isso por falta de opção mesmo: deu algum erro no computador e até hoje não aprenderam a “restaurar as configurações de tela”. Em ambiente de trabalho, aonde nem sempre há liberdade, geralmente o fundo padrão é a marca da empresa.
Agora se a gente for falar do computador para uso pessoal mesmo, aquele amareladinho que guarda na memória suas fotos, emails e conversas de msn mais preciosas... enfim, se passarmos a falar daquele computador que você já até deu nome e é praticamente seu amigo, guardador fiel de tantos segredos... aí é outra história. Nesse caso sim, volto para a teoria inicial, o fundo de tela diz muito sobre alguém. Alguns colocam uma foto que traga alguma recordação especial, outros uma paisagem paradisíaca de uma praia havaiana, por exemplo. No meu pc a paisagem é de “Alentejo” – uma região de Portugal. O fundo de tela é o lugar que eu gostaria que fosse hoje o meu primeiro plano. O verde que eu vejo gostaria de tocar. Pisar de pés descalços na plantação, deitar sob o céu azul. Acho que não sou a única. Você já olhou para algum fundo de tela (de repente, pode ser até o seu) e pensou “puxa, se eu pudesse estar lá”? O fundo é fuga. E você pode olhar para a paisagem em qualquer dia, ela vai está aí na sua tela, até você resolver mudar, só pra variar um pouquinho.
Tem gente que coloca aquário para descanso de tela. Aí depois de uns minutos surgem peixes nadando no pc. Eu não quero aquário, se quiser, posso ter um aqui em casa. Quero o fundo que hoje não posso ter, e que a minha tela não tenha descanso dele... mas um dia, quem sabe? Estarei nele.